quinta-feira, 28 de junho de 2012

HARMONIZAÇÃO - UM CAMINHO DA PAZ INTERIOR


Todos nós sabemos das dificuldades de aprender quando estamos tensos, angustiados ou dominados por uma forte emoção. Ao contrário, nossas possibilidades mentais parecem ampliar-se e, de fato ampliam-se, quando estamos tranqüilos.

E´ importantíssimo que o coordenador dos encontros compreenda o fenômeno emoção. O “Novo Dicionário Aurélio” assim define emoção: “reação intensa e breve do organismo ao lance inesperado, a qual se acompanha de um estado afetivo de conotação penosa ou agradável”. A emoção é, portanto, um estado temporário de espírito. Tornando-se permanente, transforma-se em sentimento, bom ou mau. Por exemplo: a raiva é uma emoção. Cultivada permanentemente transforma-se no sentimento rancor ou ódio.

Tudo que atinge a emoção atinge o ser integralmente. As más emoções geram distúrbios emocionais, físicos e espirituais. As boas emoções iluminam a vida, beneficiam todo o ser. Para termos boa saúde física e mental, temos que eliminar as emoções destrutivas e cultivar as emoções elevadas.

. Harmonização ao início da reunião

Os participantes, quaisquer que sejam suas idades, ao chegarem para a reunião, podem trazer preocupações do cotidiano, ou mesmo estar com a mente agitada por graves problemas ou emoções intensas, o que os impedirá de centrarem sua atenção nas atividades. Essas tensões prejudicam também a saúde física, emocional e espiritual que buscamos promover. E’ importante, assim, um momento de harmonização, de aquietação das emoções.

A harmonização pode ser favorecida por alguns meios, como por exemplo, canto; respiração ritmada; relaxamento muscular; ouvindo música tranquilizadora; ou assistir à projeção de “slides” ou vídeo com uma seqüência de imagens agradáveis e repousantes; estímulos auditivos como: barulho de água correndo, canto de cigarras ou de pássaros. São alguns minutos de busca da paz íntima, o que irá beneficiar todo o ser.

(Apostila Lar Fabiano de Cristo


Harmonização ao final da reunião

Este momento tem por objetivo proporcionar vivências de bem estar e paz interior. Associamos a música, o relaxamento corporal e a respiração ritmada. Podemos utilizar a técnica das imagens mentais (visualização) para ajudar na eliminação de conflitos emocionais e sentimentos negativos, procurando substítui-los por emoções mais felizes e harmoniosas, geralmente relacionadas com o objetivo da reunião. Vamos detalhar os procedimentos.

1-Música

O coordenador, depois de explicar os objetivos, colocará música suave, tranquilizadora (“New Age”, clássica ou religiosa, de preferência instrumental). Todos ouvem em silêncio. Principalmente no trabalho com crianças, pode-se variar os recursos sonoros, como, por exemplo, vibrar um instrumento, diminuindo sua intensidade até que o som desapareça. Pedir que ouçam atentamente.

Relaxamento

Sugerir que cada um procure sentar-se confortavelmente. Buscar o maior relaxamento. Começar pela atenção a determinadas partes do corpo: testa, olhos (de preferência cerrados), face, ombros, etc. descendo até os dedos dos pés.
Com crianças pequenas, o relaxamento, o silêncio e a concentração devem ser estimulados por meio de situações como: “fazer o silêncio para ouvir o barulhinho das águas ou o canto dos pássaros” (gravado em fita), “relaxar como um bonequinho mole, mas sentando-se com boa postura, bem quieto, com os olhos fechados e sentindo-se bem”.

Respiração

Obtido o relaxamento muscular, cada um passa a concentrar sua atenção na respiração, inspirando naturalmente, com a boca cerrada, retendo o ar um pouco e expirando, abrindo suavemente os lábios.

Este método de respiração, utilizado diariamente possibilita uma renovação orgânica e, em conseqüência, maior vitalidade.

Visualização

A visualização pode ser usada para vários fins educativos e terapêuticos. É uma técnica utilizada pela Psicologia Transpessoal para libertar conflitos e facilitar o auto-encontro, ou seja, a sintonia com a própria consciência, desvelando os verdadeiros valores do ser.

Podemos também imaginar uma tela à nossa frente. Cada um projetará a imagem de uma paisagem agradável e repousante: um lago tranqüilo refletindo o luar, uma praia onde se ouve a cadência das ondas do mar, um riacho, um bosque florido etc.

Para os objetivos de nossas reuniões a visualização poderá ser orientada pelo coordenador com palavras simples, adequadas ao nível do grupo com que se trabalha. Podemos sugerir:

- Feche os olhos e sinta que você está num sereno mar azul; sinta que você está flutuando numa onda desse mar... está flutuando para cima e para baixo, suavemente, com toda a segurança... Escute o som do mar dentro de sua cabeça... o ritmo das ondas... tudo calmo e tranqüilo.

Agora o som está desaparecendo... e você está voltando com a onda, chegando à praia... e você abre os olhos, sentindo-se muito bem.

Durante a imagem criada na tela mental, deve-se procurar sentir a harmonia desse ambiente, “enquanto se deixa penetrar pelas forças ignotas da Natureza, facultando a sintonia com a Energia Divina, que se encontra em toda parte” (Joanna de Ângelis).

A visualização pode ser usada para reprogramar a mente com novas idéias, liberando conflitos. Orienta-nos Joanna de Ângelis em “Vida: Desafios e Soluções”. (pg. 147 - 1ª edição):

“Quando estiver estabelecido esse hábito deve-se visualizar um acontecimento agradável que se encontra guardado no inconsciente, retirando-o dali pela memória ativa e voltando a experimentá-lo de tal forma que se torna vívido e saudável, proporcionando o mesmo bem-estar daquela oportunidade ora passada. Esse expediente auxiliará a emoção a reviver cenas felizes, que estão sepultadas sob os desencantos e problemas acumulados, que ora constituem carga emocional muito desagradável e inquietadora. Com esse método fácil de reviver a felicidade, pode-se visualizar, também, momentos desagradáveis, ocorrências más, que deixaram resíduos ácidos e ressentimentos graves, desculpando o ofensor, distendendo-lhe o perdão, retirando-o dos arquivos do inconsciente e liberando-se para preencher o espaço com acontecimentos vitalizadores”


Quando trabalhamos com crianças pequenas precisamos primeiro prepará-las com exercícios de quietude e silêncio, que só poderão ser obtidos se houver o acordo de todos. O treino, então, precisa ser feito em situação lúdica para tornar-se um desafio. Podemos usar alguns exercícios montessorianos:

*Com todos em silêncio, murmurar o nome de duas crianças que, sem ruído, trocam de lugar enquanto os outros permanecem imóveis.

*Correr de um lado para outro na ponta dos pés, sem qualquer barulho, primeiro individualmente, depois em pequenos grupos e, em seguida, todo o grupo.

*Trocar de lugar cadeiras dispostas em círculo.

*Brincadeiras em que a criança “congela” o movimento, (por exemplo: Estátua; dançar parando onde está quando a música é suspensa).

Após essa preparação iniciar os exercícios de visualização:

•Mostrar um objeto ou uma figura de um só elemento e pedir que as crianças fechem os olhos e pensem firmemente no que viram. Exemplos: uma vela acesa, uma flor, uma árvore frondosa.

•Criar essa imagem mental, acrescentando detalhes, como:

- sentir o perfume da flor;- ver galhos das árvores balançando ao vento;- acompanhar o percurso de uma folha ao vento.

•Criar imagens mentais com mais de um elemento e com movimento, como:

- borboletas voando sobre flores; aos poucos vão pousando e tudo se aquieta.- um mar calmo e bonito formando pequenas ondas; ouvir o barulho do mar.


Com as crianças maiores já podemos sugerir uma imagem com mais elementos:

“Vamos sentar corretamente, fechar os olhos, ficar tranqüilos e relaxados. Agora, respirem sentindo o ar entrar devagarinho pelo nariz... o ar saindo... entrando... saindo bem devagar. Prestem atenção só à respiração. Vamos imaginar que estamos sentados numa grama verde e macia, na sombra de uma grande árvore... estamos cercados de flores perfumadas. Lá do alto descem muitos raios de luz, que trazem saúde e paz... Cada raio de luz entra por nossas cabeças e espalha-se por todo o nosso corpo... Você se sente muito bem... muito feliz... com muita paz. Você guarda essa luz de saúde e paz. Agora, volte com seu pensamento à nossa sala. Abra devagar os olhos”.

De preferência usar música instrumental suave como fundo musical.
Ao término da experiência, estimular as crianças, cada uma por sua vez, a expressar o que sentiram.

Observações importantes:

· O momento de harmonização não deve ultrapassar cinco minutos e bem menor tempo com as crianças.

· Deve-se observar cuidadosamente as reações dos participantes às imagens mentais sugeridas como, por exemplo, “sentir-se no alto de uma montanha” pois podemos esbarrar em traumas passados, desta ou de outras existências, os quais podem gerar profundas angústias. Observando-se qualquer inquietação, chamar com serenidade o participante, tocá-lo suavemente, perguntar se prefere fazer a experiência em outro momento. Nesses casos é se preferível que cada um possa criar, na tela mental, a paisagem que lhe é mais tranqüilizadora.

· E` importante que a harmonização não seja um momento forçado, mas natural, prazeroso.

· A prece, que deve ser breve, quando feita após a visualização, alcança níveis mais profundos do Ser . Acreditamos ser esse o momento ideal. Da mesma forma as afirmativas de bem estar e paz.

· Nos grupos com freqüência diária na UPI, esse exercício pode ser feito sempre à mesma hora (inicio do dia, na rodinha, ou depois do repouso, no início das atividades da tarde), o que favorecerá o condicionamento.

" A vida foi-nos dada como um quadro a desenhar. Dentro do nosso livre-arbítrio podemos deixar o quadro em branco pela futilidade dos nossos atos. Podemos ainda, produzir um quadro mau ou somente medíocre, como podemos imprimir-lhe uma obra-prima de graça e beleza. "
Paul Gibier (“Análise das Coisas” - FEB)