terça-feira, 10 de julho de 2012

Aula: “A Ingratidão dos Filhos.” - Jardim


Aula: “A Ingratidão dos Filhos.”
Turma: Jardim – Sala Joanna de Angelis
I – Acolhida e Harmonização. Duração – no máximo cinco minutos.
1 – Exercício: Colocar um cd com música bem suave. Quando as crianças entrarem na sala, pedir para se postarem em círculo e fazerem o seguinte exercício: com todos em silêncio, murmurar o nome de duas crianças que, sem ruído, trocam de lugar enquanto os outros permanecem imóveis. Continuar até todos trocarem de lugar.
2 – Relaxamento:
Sugerir que cada um procure sentar-se confortavelmente. Buscar o maior relaxamento. Começar pela atenção a determinadas partes do corpo: testa, olhos (de preferência cerrados), face, ombros, etc. descendo até os dedos dos pés.
Com crianças pequenas, o relaxamento, o silêncio e a concentração devem ser estimulados por meio de situações como: “fazer o silêncio para ouvir o barulhinho das águas ou o canto dos pássaros” (gravado em fita), “relaxar como um bonequinho mole, mas sentando-se com boa postura, bem quieto, com os olhos fechados e sentindo-se bem”.

3 – Respiração:
Obtido o relaxamento muscular, cada um passa a concentrar sua atenção na respiração, inspirando naturalmente, com a boca cerrada, retendo o ar um pouco e expirando, abrindo suavemente os lábios.
Este método de respiração, utilizado diariamente possibilita uma renovação orgânica e, em conseqüência, maior vitalidade.
4 – Visualização:
O Evangelizador deverá levar uma rosa para a sala, e após a realização dos exercícios acima mostrá-la para as crianças, bem devagar, pedindo que cada uma delas sinta seu toque, seu cheiro, preste atenção a sua forma, cor e textura. Depois pedir que os Evangelizandos fechem os olhos e conduzir a visualização:
“Imagine uma rosa. Veja-a a sua frente. Como ela é bela. Sinta seu perfume – como ela é cheirosa! Agora imaginem estar segurando delicadamente a rosa, ela é macia e agradável ao toque. Você se sente muito bem tendo a beleza, a delicadeza e o perfume da rosa em suas mãos.
Agora imagine uma luz azul muito clara e bonita vinda do alto e te envolvendo todo. A luz sara tudo, te protege e te faz sentir-se muito bem. Essa luz vem de Deus. Você está feliz, pleno e em paz. Agora, abra bem devagar os olhos, voltando para a sala.
II. Prece.
III. Atividades
1) Contar a seguinte estória:
A Casa dos Avós+
Vovô Eduardo e Vovó Francisca moravem em uma linda e acolhedora casinha. Tinham tudo o que mais gostavem: uma varanda onde se sentavam à tardinha poara conversar com os visinhos e amigos, uma hortinha onde vovô Eduardo cultivava verderuras e legumes, um pé de laranja, umas bananeiras e até uma linda árvore onde Joãozinho adorava se pendurar. Nela vovô Eduardo fez um balanço para as crianças se divertirem.
Vovó Francisca cuidava com muito amor do lindo jardim que plantara na frente da casa. A casa, era verdade, não tinha as modernidades com as quais Joãozinho e sua irmã Aninha estavam acostumados: não tinha microondas, computador, TV de tela plana, mas tinha muito amor! Joãozinho e Aninha sempre ficavam com os avós depois da escola. Quando chovia e não podiam brincar no quintal vovô brincava de jogo de botão com Joãozinho e vovó ensinava Aninha a brincar com bonecas de papel. Vovó também fazia uns deliciosos bolinhos de chuva para eles comerem junto com chocolate quente. Era uma verdadeira delícia!
Acontece que um dia Joãozinho e Aninha ouviram seus pais brigarem. Alguns dias depois foram levados para a creche, ao Ives da casa dos avós. As crianças gostaram da novidade, afinal na creche haviam muitas crianças, computadores, capoeira. De vez em quando até sentiam saudades dos avós, mas seus pais desconversavam quando perguntavam por eles, e logo lhes davam um game novo, assim eles se distraíam .
Passaram-se uns tempos. Um dia a professora falou que eles iriam visitar um asilo, que era um lugar onde ficavam os idosos cujas famílias não podiam ou não queriam cuidar deles. Joãozinho e Aninha acharam muito estranho aquilo, e pensaram: “ainda bem que o vovô e a vovó tem sua casa!”. Até pensaram em pedir para o papai os levarem lá, mas havia um campeonato de futebol no bairro no final de semana, e eles logo se esqueceram.
Chegou enfim o dia de visitarem o asilo. A professora recomendou que deveriam tratar aqueles idosos com muito amor, chamá-los de vovô e vovó, com muito respeito, porque os pobrezinhos nem os netos viam há muito tempo. Joãozinho e Aninha sentiram uma pontada no coração: também já fazia muito tempo que não viam o vovô Eduardo e a vovó Francisca.
Chegaram ao asilo e acharam um lugar até bem cuidado, mas sabiam que por mais que fossem bem tratrados aqueles velhinhos não tinham o mais importante: o amor e o carinho de seus filhos e netos.
Foram caminhando pelo jardim e viram um casal de idosos abraçados, sentados em um banco, lá longe. Ao aproximarem-se Joãozinho e Aninha sentiram seu coração sufocar: lá estavam o vôo Eduardo e a vovó Francisca ! Nem pareciam mais os mesmos! Vovô segurava uma bengala e tremia muito, e vovó tinha no rosto marcas de indizível sofrimento. As crianças correram a abraçá-los, chorando e percebendo que retribuíram tanto amor e cuidado que haviam recebido de seus queridos avós com ingratidão e esquecimento, pois facilmente trocaram seu carinho por facilidades materiais.
Ao chegarem em casa, colocaram um plano em ação. Disseram aos seus pais:
- Nós agora não queremos mais presentes, nem tanta roupa e doces. Queremos o dinheiro.
- Para que? Perguntaram seus pais.
- Para comprarmos uma casa e irmos cuidar do vovô Eduardo e da vovó Francisca, que estão morrendo de tristeza naquele asilo onde vocês os colocaram.
Os pais de Joãozinho e Aninha abaixaram a cabeça, envergonhados, e no mesmo dia foram ao asilo pedir perdão aos dois velhinhos, que os abraçaram e acolheram com muito amor. Naquele dia mesmo a família passou a morar na mesma casa, e uns cuidavam dos outros, a harmonia, a paz e a alegria voltaram a reinar naquele lar, e, quando esfriava o chovia os bolinhos de chuva da vovó Francisca voltaram a reinar soberanos na mesa daquela família!
Laura Souza Machado
Sugestões:
a) O Evangelizador deverá preparar uma maquete com a casa dos avós, a árvore, a horta e o jardim, na outra metade deverá construir o asilo.
b) Bonecos feitos de EVA devem representar os personagens.

2) Conversar sobre o conteúdo da explicação do tema e da estória.
3) Arte:
Confeccionar Guirlandas de EVA representando o vovô e a vovó.

4) Imprimir uma cartela para cada Evangelizando brincar de boneca de papel:

 

Subsídios para o Evangelizador:
A dor do abandono
Era uma manhã de sol quente e céu azul quando o humilde caixão contendo um corpo sem vida foi baixado à sepultura.
De quem se trata? Quase ninguém sabe.
Muita gente acompanhando o féretro? Não. Apenas umas poucas pessoas.
Ninguém chora. Ninguém sentirá a falta dela. Ninguém para dizer adeus ou até breve.
Logo depois que o corpo desocupou o quarto singelo do asilo, onde aquela mulher havia passado boa parte da sua vida, a moça responsável pela limpeza encontrou em uma gaveta ao lado da cama, algumas anotações.
Eram anotações sobre a dor...
Sobre a dor que alguém sentiu por ter sido abandonada pela família num lar para idosos...
Talvez o sofrimento fosse muito maior, mas as palavras só permitem extravasar uma parte desse sentimento, grafado em algumas frases:
Onde andarão meus filhos?
Aquelas crianças ridentes que embalei em meu colo, alimentei com meu leite, cuidei com tanto desvelo, onde estarão?
Estarão tão ocupadas, talvez, que não possam me visitar, ao menos para dizer olá, mamãe?
Ah! Se eles soubessem como é triste sentir a dor do abandono... A mais deprimente solidão...
Se ao menos eu pudesse andar... Mas dependo das mãos generosas dessas moças que me levam todos os dias para tomar sol no jardim... Jardim que já conheço como a palma da minha mão.
Os anos passam e meus filhos não entram por aquela porta, de braços abertos, para me envolver com carinho...
Os dias passam... e com eles a esperança se vai...
No começo, a esperança me alimentava, ou eu a alimentava, não sei...
Mas, agora... como esquecer que fui esquecida?
Como engolir esse nó que teima em ficar em minha garganta, dia após dia?
Todas as lágrimas que chorei não foram suficientes para desfaze-lo.
Sinto que o crepúsculo desta existência se aproxima...
Queria saber dos meus filhos... dos meus netos...
Será que ao menos se lembram de mim?
A esperança, agora, parece estar atrelada aos minutos... que a arrastam sem misericórdia... para longe de mim.
Às vezes, em meus sonhos, vejo um lindo jardim...
É um jardim diferente, que transcende os muros deste albergue e se abre em caminhos floridos que levam a outra realidade, onde braços afetuosos me esperam com amor e alegria...
Mas, quando eu acordo, é a minha realidade que eu vejo... que eu vivo... que eu sinto...
Um dia alguém me disse que a vida não se acaba num túmulo escuro e silencioso. E esse alguém voltou para provar isso, mesmo depois de ter sido crucificado e sepultado...
E essa é a única esperança que me resta...
Sinto que a minha hora está chegando...
Depois que eu partir, gostaria que alguém encontrasse essas minhas anotações e as divulgasse.
E que elas pudessem tocar os corações dos filhos que internam seus pais em asilos, e jamais os visitam...
Que eles possam saber um pouco sobre a dor de alguém que sente o que é ser abandonado...
***
A data assinalada ao final da última anotação, foi a data em que aquela mãe, esquecida e só, partiu para outra realidade.
Talvez tenha seguido para aquele jardim dos seus sonhos, onde jovens afetuosos e gentis a conduzem pelos caminhos floridos, como filhos dedicados, diferentes daqueles que um dia ela embalou nos braços, enquanto estava na terra.
Autor:
Equipe de Redação do Momento Espírita.

A ingratidão - chaga pestífera que um dia há de desaparecer da Terra - tem suas nascentes no egoísmo, que é o remanescente mais vil da natureza animal, lamentavelmente persistindo na Humanidade.
A ingratidão sob qualquer forma considerada, expressa o primarismo espiritual de quem a carrega, produzindo incoercível mal-estar onde se apresenta.
O ingrato, isto é, aquele que retribui o bem pelo mal, a generosidade pela avareza, a simpatia pela aversão, o acolhimento pela repulsa, a bondade pela soberba, é sempre um atormentado que esparze insatisfação, martirizando quantos o acolhem e socorrem.
O homem vitimado pela ingratidão supõe tudo merecer e nada retribuir, falsamente acreditando ser credor de deveres do próximo para consigo, sem qualquer compensação de sua parte.
Estulto, desdenha os benefícios recolhidos a fim de exigir novas contribuições que a própria insânia desconsidera. É arrogante e mesquinho porque padece atrofia dos sentimentos, transitando nas faixas da semiconsciência e da irresponsabilidade.
Sendo a ingratidão, no seu sentido genérico, detestável nódoa moral, a dos filhos para com os pais assume proporções relevantes, desde que colima hediondo ato de rebeldia contra a Criação Divina.
O filho ingrato é dilacerador do coração dos pais, ímpio verdugo que se não comove com as doloridas lágrimas maternas nem com as angústias somadas e penosas do sentimento paterno.
Com a desagregação da família, que se observa generalizada na atualidade, a ingratidão dos filhos torna-se responsável pela presença de vários cânceres morais, no combalido organismo social, cuja terapia se apresenta complexa e difícil.
Sem dúvida, muitos pais, despreparados para o ministério que defrontam em relação à prole, cometem erros graves, que influem consideravelmente no comportamento dos filhos, que, a seu turno, logo podem, se rebelam contra estes, crucificando-os nas traves ásperas da ingratidão, da rebeldia e da agressividade contínua, culminando, não raro, em cenas de pugilato e vergonha.
Muitos progenitores, igualmente, imaturos ou versáteis, que transitam no corpo açulados pelo tormento de prazeres incessantes - que os fazem esquecer as responsabilidades junto aos filhos para os entregarem aos servos remunerados, enquanto se corrompem na leviandade -, respondem pelo desequilíbrio e desajuste da prole, na desenfreada competição da utópica e moderna sociedade.
Todavia, filhos há que receberam dos genitores as mais prolíferas demonstrações e testemunhos de sacrifício e carinho, aspirando a um clima de paz, de saúde moral, de equilíbrio doméstico, nutridos pelo amor sem fraude e pela abnegação sem fingimentos, e revelam-se, desde cedo, frios, exigentes e ingratos.
Se diante de pais irresponsáveis a ingratidão dos filhos jamais se justifica ou procede, a proporcionada por aqueles que tudo recebem e tudo negam, somente encontra explicação na reminiscência dos desajustes pretéritos dos Espíritos, que, não obstante reunidos outra vez para recuperar-se, avivam as animosidades que ressumam do inconsciente e se corporificam em forma de antipatia e aversão, impelindo-os à ingratidão que os atira à rampas inditosas do ódio dissolvente.
A família é abençoada escola de educação moral e espiritual, oficina santificante onde se lapidam caracteres, laboratório superior em que se caldeiam sentimentos, estruturam aspirações, refinam ideais, transformam mazelas antigas em possibilidades preciosas para a elaboração de misteres edificantes.
O lar, em razão disso, mesmo quando assinalado pelas dores decorrentes do aprimorar das arestas dos que o constituem, é forja purificadora onde se devem trabalhar as bases seguras da humanidade de todos os tempos. Quando o lar se estiola e a família se desorganiza a Sociedade se abate e estertora.
De nobre significação, a família não são apenas os que se amam, através dos vínculos da consangüinidade, mas, também, da tolerância e solidariedade que se devem doar os equilibrados e afáveis aos que constituem os elos fracos, perturbadores e em deperecimento no clã doméstico.
Aos pais cabem sempre os deveres impostergáveis de amar e entender até o sacrifício os filhos que lhes chegam pelas vias sacrossantas da reencarnação, educando-os e depondo-lhes nas almas as sementes férteis da fé, das responsabilidades, instruindo-os e neles inculcando a necessidade da busca de elevação e felicidade. O que decorra serão conseqüências do estado moral de cada um, que lhes não cabem prever, recear ou sofrer por antecipação pessimista.
Aos filhos compete amar aos pais, mesmo quando negligentes ou irresponsáveis porquanto é do Código Superior da Vida, a imposição: “Honrar pai e mãe”, sem excluir os que o são apenas por função biológica, assim mesmo, por cujo intermédio a Excelsa Sabedoria programa necessárias provas redentoras e torturantes expiações libertadoras.
Ante o filho ingrato, seja qual for a situação em que se encontre, guarda piedade para com ele e dá-lhe mais amor...
Agressivo e calceta, exigente e impiedoso, transformado em inimigo insensível quão odioso, oferta, ainda, paciência e mais amor...
Se te falarem sobre recalques que ele traz da infância, em complexos que procedem desta ou daquela circunstância, em efeito da libido tormentosa com que os simplistas e descuidados pretendem escusá-lo, culpando-te, recorda, em silêncio, de que o Espírito precede ao berço, trazendo gravados nas tecelagens sutis da própria estrutura gravames e conquistas, elevação e delinqüência, podendo, então, melhor compreendê-lo, mais ajudá-lo, desculpá-lo com eficiência e socorrê-lo com probidade prosseguindo ao seu lado sem mágoa e encorajado no programa com a família inditosa e os filhos ingratos, resgatando pelo sofrimento e amor os teus próprios erros, até o dia em que, redimido, possas reorganizar o lar feliz a que aspiras. (Espírito de Joanna de Ângelis - Obra: S.O.S. Família - Divaldo P. Franco)
IV. Prece Final.
Paz e Luz!