terça-feira, 17 de julho de 2012

Respondendo e Esclarecendo sobre a Prece

A prece deve ser dirigida a Jesus Cristo ou a Deus?

A prece, quando é anseio legítimo e impulso profundo da alma, vence as resistências naturais do envolvimento fluídico do globo e ascende a esferas altas, o quanto alcance, onde é recebida e analisada; e o atendimento se dará conforme o mérito e quando for julgado justo e não inconveniente ao progresso espiritual do solicitante; mas em todos os casos, sempre exite uma grande margem para a manifestação da misericórdia divina em benefício do necessitado.
Não importa, portanto, que seja dirigida a Deus, ou a deuses ou santos de outros credos.

Qual a diferença ente oração e prece?

Doutrinariamente há diferença entre oração e prece. A oração, entendida como prece pode, também ser uma prédica, um discurso, enquanto que prece é sempre uma ligação espiritual com o Alto ou com benfeitores espirituais.

Vibrações e preces são a mesma coisa?

Vibração, como doutrinariamente se define, é um ato mental e sentimental conjugados: o Espírito encarnado, pela ação da vontade, emite, através da mente, ondulações energéticas para benefício de determinada pessoa necessitada, em presença ou a distância. Nos casos de cura, por exemplo, a emissão é para socorrer doentes e necessitados em geral e, se for feita com amor e desejo firme de obter os resultados esperados, as ondulações vibratórias terão muito maior intensidade e os efeitos serão muito mais positivos.
Para isso, o Espírito doador movimenta os sentimentos que atingem o alvo na forma de calor e luminosidade, sendo os melhores possíveis, os resultados do atendimento.
Não confundir, porém, esse tipo de vibração com outra, material, mecânica como, por exemplo, a de uma cordea de violão que se distende e depois se solta fazendo vibrar o ar ambiente, produzindo som mais alto ou agudo, segundo a amplitude da distensão e a rapidez das oscilações da corda ao voltar a seu ponto de estabilidade anterior.
E quanto à prece, esta é também uma projeção mental e ao mesmo tempo um arroubo da alma, expressando um desejo, ou uma súplica que se dirige a poderes espirituais mais elevados e que, conforme sua intensidade e pureza, atinge regiões mais altas ou menos altas, na subida para sua meta.
Se a prece for simplesmente mecânica e não tiver vibração sentimental que baste, não conseguirá romper a massa escura e densa da atmosfera, não atingirá o alvo visado e não produzirá os efeitos que desejamos alcançar.

A Doutrina Espírita proíbe ajoelhar-se ao fazer prece?

Não há proibição mas, para fazer preces é indiferente a posição que se toma, os gestos que se fazem, porque a prece é um ato psíquico mental, não material.

Qual o valor das preces mortuárias?

Como o Espiritismo não tem ritos nem cerimônias, para a despedidad daqueles que se retiram da vida terrena, bastariam as vibrações e as preces em comum, caso desejem que sejam feitas. Mas estas terão valor muito relativo, porque o que vai ser de utilidade maior àquele que desencarne será a conduta que teve, os atos que praticou, a pureza dos sentimentos, não sendo necessário nem cabível a espíritas solicitar cerimônias mortuárias de outra religião, a não ser que desconheçam a Doutrina, ou sejam simples aderentes de superfície.
Que se pode tirar de utilidade em se fazer concentrações demoradas e preces mil vezes repetidas, mas em nada se vê alterar o procedimento?
Deus está em tudo, como um alento de vida, como o perfume em uma flor; tudo vê, tudo sente e tudo sabe. Nós somos uma partícula de Deus evoluindo na matéria e se, em nossas concentrações e preces, conseguirmos sintonizar com Ele, passaremos também a sentir e ver e saber muito mais além da nossa cegueira natural de seres encarnados e retardados.
A busca de Deus e a aproximação com Ele por meio da concentração e da prece, fugindo às neuroses e às maldades do mundo, somente nos engrandecem espiritualmente se formos sinceros, humildes e suficientemente penetrantes.
Tanto mais os seres humanos sintonizam com Deus, tanto mais capazes se tornarão de traduzir as Suas leis e interpretá-las aos semelhantes, agindo como mensageiros Seus, porta-vozes Seus.
Outra coisa a esclarecer é que a maior parte das preces visa pedir benefícios pessoais, ao invés de ter em vista sobretudo a comunhão com Ele e com nossos semelhantes em sentido universal.
E muitos fazem suas preces sem primeiramente limparem seu coração de suas maldades e suas mentes de seus pensamentos inferiores, muitas vezes maléficos ou egoístas. Que benefício esperam assim obter?
Edgard Armond, Respondendo e Esclarecendo – Editora Aliança